Terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Os "Gates" da Campanha das Legislativas

Embora tenha vindo a seguir de muito perto a Campanha Eleitoral, o facto é que por falta de tempo, ainda não tinha escrito rigorosamente nada sobre o que acho que se tem vindo a passar na preparação deste acto em que escolheremos os nossos governantes.

 

O primeiro grande denominador  comum que tem pautado a campanha é o ataque pessoal a José Sócrates, apostando sempre na tentativa de desgaste do líder do PS. Este facto é perfeitamente plausível se analisarmos os programas eleitorais dos principais partidos, nos quais tudo bem espremido ... não tem rigorosamente nada. Não há propostas credíveis, as poucas que há são absolutamente ténues e nada esclarecedoras.
 
Pois bem, é triste, mas a  única "arma" eleitoral da oposição é a criação de factos políticos e de aproveitamento de situações estéreis para erguer as bandeiras rotas e esfarrapadas das forças políticas que representam. O problema é que muitas das vezes essas bandeiras têm caído na cabeça de quem as ergue. Refiro-me, obviamente, às palavras mais faladas na campanha a tal "política de verdade"(?) e a sufocante "asfixia democrática".
 
 
 
Só para citar alguns casos recordo-me do famoso ataque sobre o "Joana Amaral
Dias"'gate, o "a Madeira e Jardim são o expoente máximo da  Democracia Exemplar" 'gate, o "Manuela Moura Guedes" 'gate,  "os espanhóis são nossos (in)imigos" 'gate e por fim, last but not least "As escutas Telefónicas"'gate, e podia referenciar muitos mais gates.
 
Em relação ao caso Joana Amaral Dias, já escrevi sobre ele e penso que, se dúvidas restassem, os últimos desenvolvimentos das declarações da pessoa em causa são esclarecedores do abusivo aproveitamento eleitoral da questão.
 
Sobre o “Reino de Alberto João Jardim”, tive também oportunidade de dizer qualquer coisa sobre o assunto e em face da postura a que o senhor já nos habituou, não vale sequer a pena tornar a falar.
 
Um dos “gates bomba”, foi indubitavelmente corporizado com o cancelamento do Jornal de 6ª apresentado por Manuela Moura Guedes. Penso que aqui, os portugueses entenderam que, de facto José Sócrates não poderia estar por detrás desta situação, senão vejamos.
Não falando da questão de ética, seria evidentemente um colossal descalabro e uma factura política pesadíssima, afastar quem diz mal no período de eleições, pois todo o cidadão voltaria o dedo, como o PSD o fez, para o PM. Caso José Sócrates tivesse alguma coisa a ver com este “afastamento”, sabia à partida que lhe iria custar uma quantidade de votos imprevisível. Assim, como eu não o tenho na conta de pessoa pouco “bafejada” intelectualmente, recuso-me a acreditar nesta tese do HaraKiri político… Aliás, porque é que o faria no final do mandato? Queria então dizer que “aturava” toda a panóplia de impropérios que saíam, a um ritmo nunca visto, da boca de MMG durante quatro anos e meio para no final, à socapa, mexer os “cordelinhos”? Não acredito e penso que ninguém pode acreditar!
 
Um dos mais notáveis “gates” foi a questão que envolveu os espanhóis, em que MFL não teve qualquer pudor em nos lembrar da “Guerra das Laranjas”, que como se sabe, ocasionou a questão de Olivença, ou mesmo de tempos mais longínquos da nossa história. Desta vez o “cisma” foi a Alta Velocidade. Nuestros Hermanos é que não gostaram nada destas declarações e colocaram a imprensa e todos os holofotes em cima da senhora que, coitada, já não era capaz de se mexer. Eu estou a ironizar, mas trata-se realmente de declarações muitíssimo graves e poderiam comprometer as relações entre os dois países ibéricos … Mais um valentíssimo tiro (de canhão) no pé para MFL.
 
Por último, é incrível e de uma gravidade sem precedentes o que se passou com o caso das escutas telefónicas (inexistentes) em Belém. Foi quase uma tentativa de erguer o “watergate” à portuguesa!
Aqui, condeno e lamento profundamente várias circunstâncias:
- Antes de mais, o aproveitamento político da situação de todos os partidos, principalmente do PSD;
- as tristes declarações do nosso PR que primeiramente deixa no ar que existem “questões de segurança” que devem ser vistas logo após as eleições, mas depois (cerca de 48 horas) demite, sem uma única palavra perante os portugueses, o assessor de comunicação que alegadamente tentou interferir, esse sim, na linha editorial do jornal Público com um caso absolutamente ficcional e rocambolesco com uma história digna dos policiais de Agatha Christie;
- por último, mas não menos grave, o Director do Público que provou claramente que está disposto a fazer “fretes” aos políticos do nosso país e a Cavaco Silva. Então aqui já não tem de haver ética profissional? E o que me dizem da “asfixia democrática” de Belém? Ainda por cima dar a entender que o assunto viria de Alberto João Jardim? … LAMENTÁVEL!
 
O que é certo é que invariavelmente, em todos os casos a “bomba” foi devolvida com muito mais potência ao(s) remetente(s)… Contudo, penso que é de uma infelicidade atroz que uma campanha eleitoral seja apenas uma troca de presentes envenenados, ao invés de um esclarecimento sério e rigoroso das questões que realmente interessam ao país.
 
Volto a repetir, onde é que está o défice democrático e a política de verdade?
 
Ao terminar este post que já vai longo, gostaria apenas de apresentar ao leitor um excerto de um discurso de Salazar, datado de 9 de Junho de 1928, sobre o que, eventualmente, poderá reproduzir o que é que o PSD entende por “política de verdade”:

 

 

publicado por Ricardo_Barros às 13:48
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