Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Atentado à Democracia

Neste ano em que se aproximam três actos eleitorais fulcrais no panorama nacional e internacional penso que é meu dever cívico expor e alertar para aquilo que mais me escandaliza nestas alturas: o “fantasma” da abstenção.
De facto, tem sido apanágio de muitos eleitores optarem por não ir às urnas expressar a sua convicção. Tenho lido inúmeros artigos com os mais variados motivos para tentarem explicar este desinteresse, desde a desmotivação pela política, até ao evidenciar o seu descontentamento com o panorama económico, passando pelo comodismo e, claro, o imobilismo.
Meus caros, não nos podemos iludir, a verdade é apenas uma, na minha opinião, não votar é pura e simplesmente mostrar a todos a falta de uma vida activa e reactiva sobre as escolhas, as políticas, a sociedade, ou seja é deixar perecer a própria democracia.
Comemorámos, há bem pouco tempo, mais um aniversário do 25 de Abril, data em que conquistámos inúmeros valores de grande altruísmo, que se podem condensar na Liberdade e na Democracia Lato sensu. Terá algum de nós o direito de renegar este passado heróico tão recente?
Abraham Lincoln sublinhava, de forma sábia, a expressão de que “Um boletim de voto tem mais força que um tiro de espingarda”. Realmente, com a nossa participação, temos na ponta da caneta a oportunidade de demonstrar, ou não, aquilo que queremos para o futuro de Portugal, pois o que está em causa é o legado que deixaremos. Esta questão toma ainda mais força quando todo o mundo é varrido com o furacão da crise económica e financeira.
Perdoem-me a deficiência profissional, mas considero quase tão absurdo como quando se elabora um Instrumento de Gestão Territorial (PDM, etc.), que é obrigatoriamente colocado em Discussão Pública, durante um período mais ou menos alargado de tempo, e se fazem inúmeras sessões de esclarecimento e os (des)interessados não se manifestam. Como se sabe o silêncio indica tacitamente que se concorda com o proposto e o Plano é aprovado. Passados alguns meses, dando-se (finalmente) conta de que o seu terreno não tem a capacidade edificatória desejada o proprietário, dirige-se então às autoridades para reclamar, quando em tempo útil já nada se pode fazer.
Esta contradição é paradigmática e aplica-se a variadíssimos factos da nossa vida em que, seja por comodismo, seja por outro motivo que na altura achemos “mais importante”, perdemos a oportunidade de nos manifestarmos, para depois entrarmos em críticas gratuitas e severas em relação àquilo que implicitamente concordámos.
As próximas eleições são já a 7 de Junho – as Europeias – convido todas e todos a meditarem nesse acto não como uma escolha vã para um lugar longínquo, mas como um escrutínio concreto onde são dirimidas questões que afectam directamente o nosso dia-a-dia.
Sim… pode-se com um “simples” voto marcar toda a diferença em relação ao patriotismo, à cidadania, à participação cívica, etc. Se estamos descontentes com a política actual, não o poderemos demonstrar escondendo-nos atrás da falácia da abstenção. Se por outro lado concordamos, também o devemos evidenciar de forma clara e transparente.
Não consintamos que às “nossas” mãos se “arrase” a democracia. Exercer o direito de voto é uma obrigação para todos, a bem da democracia e do civismo.
publicado por Ricardo_Barros às 15:52
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