Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010

PSD three men and a shadow…

 

Três homens e uma sombra em Cascais no último fim-de-semana de Março. Passos Coelho, Paulo Rangel e Aguiar-Branco são os homens em campo e a sombra continua a ser Marcelo Rebelo de Sousa. Vão ser todos protagonistas do congresso extraordinário que o Conselho Nacional do PSD marcou para 13 e 14 de Março, em Cascais. As directas serão a 26.

António Capucho, o conselheiro de Estado que é presidente da Câmara de Cascais, tem vindo a ser desafiado para se candidatar a líder do PSD - mas só a líder. A ideia do grupo que o anda a pressionar é que Capucho seja apenas líder do partido, para que, no dia em que o PSD vencesse as eleições e formasse governo, o primeiro-ministro se pudesse chamar Marcelo Rebelo de Sousa.

Capucho tem resistido a aceitar a candidatura, por duvidar de soluções bicéfalas. Mas o seu estatuto de senador respeitado no partido e conselheiro de Estado poderia facilitar uma candidatura "de unidade" para estender o tapete vermelho do governo a Marcelo Rebelo de Sousa, quando fosse caso disso. Antecedentes históricos: há 30 anos, Sá Carneiro era primeiro-ministro e quem tratava do partido era Nascimento Rodrigues.

O nervosismo é enorme na ala cavaquista-barrosista-ferreirista que sempre sonhou com um candidato único. A antecipação de Rangel e a recusa de Aguiar-Branco de abdicar para o seu antigo secretário de Estado fazem alguns suspirar por uma solução "de unidade" - de resto, o famoso mantra repetido por Marcelo Rebelo de Sousa como condição para a sua candidatura. É evidente que os votos da ala anti-Passos Coelho vão dividir-se pelos dois candidatos, facilitando a vitória de Pedro Passos Coelho.

Alguns apoiantes esperados por Paulo Rangel - como Nuno Morais Sarmento, por exemplo - poderão adiar o anúncio do seu apoio. A prova pública do mal- -estar que a candidatura fratricida (para a corrente ferreirista) está a provocar nessa ala do PSD foi a reviravolta de Miguel Veiga. Imediatamente a seguir a ser conhecida a decisão de Rangel se candidatar, o histórico do PSD, muito amigo de Pinto Balsemão, disse que Rangel era o homem certo no lugar certo. Mas, mal percebeu que José Pedro Aguiar-Branco, de quem também é amigo, não desistia, Miguel Veiga voltou atrás, dizendo que presumia que Rangel tivesse "acertado agulhas" com Aguiar-Branco e elogiando as qualidades deste último enquanto líder parlamentar.

Nos bastidores do PSD corriam teses múltiplas: que alguém, em nome do superior interesse na "nação cavaquista" o convenceria a não avançar para não dividir votos; que ele próprio desistiria se tivesse acesso a sondagens que o pusessem numa má situação; que, furioso com Rangel, se preparava para apoiar Pedro Passos Coelho, com quem tem uma boa relação pessoal. Mas tudo isto, segundo fontes próximas de José Pedro Aguiar-Branco, não passava de "pura intriga". A candidatura irreversível será anunciada hoje aos deputados do PSD.

Ontem também fontes próximas de Paulo Rangel tentavam justificar o facto de o candidato só ter avisado Aguiar-Branco depois de ser conhecida a intenção. Nesta versão, o eurodeputado tentou telefonar pouco antes de a notícia ter sido tornada pública, mas como Aguiar-Branco estava no debate do Orçamento de Estado, não atendeu o telefone. Rangel mandou a seguir uma mensagem escrita e foi por sms que Aguiar-Branco ficou a saber do avanço do seu antigo secretário de Estado.

É possível que Aguiar-Branco já não esperasse uma candidatura de Rangel, muito menos sem aviso prévio. Há cerca de um mês, quando falaram sobre o assunto, Aguiar-Branco mostrou-se disponível para se candidatar, admitindo que as possibilidades eram 90% sim e 10% não. Rangel, por seu lado, afirmou que as suas reflexões estavam mais para o "não": "90% não e 10% sim". Mas deu--se a reviravolta.

Segunda volta nas directas? É provável que cheguem propostas de alteração de estatutos para serem votadas no congresso. Hoje, no conselho nacional, o assunto já deverá ser abordado. Duas ideias estão sobre a mesa: a institucionalização de uma segunda volta nas directas, para evitar que um líder do partido seja eleito com menos de 50 por cento dos votos. Nas últimas directas, apesar de Ferreira Leite ter ficado em primeiro lugar, não teve muito mais votos que Passos Coelho e Santana Lopes. A segunda proposta, mais polémica, é o congresso aprovar o fim das directas. A ideia será impossível de pôr em prática nestas eleições, mas há quem defenda que se vier mesmo a ser apresentada, corre o risco de ser aprovada.

As distritais reuniram-se ontem com Manuela Ferreira Leite. "Temos a forte convicção de que vão ser cumpridos os nossos objectivos, que as directas ocorram no mês de Março e as regras estatutárias não sejam alteradas"Carlos Carreiras, líder da distrital de Lisboa.
 
publicado por Ricardo_Barros às 21:33
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