Domingo, 28 de Junho de 2009

Marcação de Eleições

 

"Cavaco decide eleições contra vontade do PSD

por JOÃO PEDRO HENRIQUES

 

O Presidente da República marcou ontem para 27 de Setembro as eleições legislativas. Cavaco Silva explicou não ter escolhido a data das autárquicas, 11 de Outubro, escolhida pelo Governo, pois a maioria dos partidos parlamentares era contra a realização dos dois actos eleitorais no mesmo dia. A excepção era o PSD, invocando o "interesse nacional"." (DN, 09-06-28)

 

Embora não tenha muito tempo para redigir um post sobre esta matéria, cumpre-me saudar efusivamente o Sr. Presidente da Rapública, por elevar o sentido de estado e das mais elementares bases da  democracia na marcação das eleições legislativas para data distinta das autárquicas, apesar das tentativas claras de colher e ventilar argumentos, nomeadamente através de sondagens, sobre esta matéria..

 

Penso que um dos motivos que mais terão pesado para esta decisão foi precisamente o PSD ter sido a única foça partidária a pertender as eleições simultâneas. Outra opção tomada pelo PR seria vista como uma colagem clara e gratuita aos interesses do PSD.  Assim, podemos dizer que a pressão deste partido funcionou ao contrário para as suas  pretensões.

 

Bem haja Sr. Presidente da República ...

publicado por Ricardo_Barros às 15:48
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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Política de Verdade (!?)

 

Há quem diga que ontem foi um dia “escaldante” em termos políticos e realmente sucederam-se uma série de acontecimentos no plano político desde o Debate Quinzenal, até à entrevista no Dia D à Dr.ª Manuela Ferreira Leite (MFL).
 
Em relação a esta última fiquei realmente enternecido com a postura da líder do PSD, tão compreensiva e benemérita, fazendo passar a imagem de que apenas com o seu Partido se conseguiria ultrapassar a crise actual, ainda por cima “sem aumentar os impostos!”.
 
Realmente quase me esqueci do tempo em que a Senhora foi Ministra da Educação e eu gritava a plenos pulmões à porta da Universidade o “Não Pagamos!” da ordem, enquanto do lado do então Governo não se ouvia sequer um sussurro de compreensão, ou ainda, quando mais tarde assisti ao celebérrimo “discurso da tanga” do Governo em que a Senhora foi Ministra das Finanças e por fim do apertar do cinto que fez os contribuintes passar para equilibrar as contas do estado, vendendo o património do Estado ao desbarato e reprimindo toda e qualquer iniciativa Pública e Privada, congelando o país num imobilismo de progresso.
 
Confesso no entanto que, entre as várias frases proferidas, a Dr.ª MFL conseguiu-me chocar quando disse que não havia conseguido controlar o défice das contas públicas no último Governo a que pertenceu. Ora bem, admito que a deficiência seja minha, mas como é que a Senhora, que admite nas televisões que não conseguiu o seu maior objectivo enquanto Ministra das Finanças, se propõe resolver agora uma situação de crise com o pano de fundo da catastrófica depressão económica e financeira internacional. Será esta a política de verdade?
 
Entre outros acontecimentos, gostei particularmente quando a Dr.ª MFL disse que o Eng.º José Sócrates “Mentiu” sobre não ter sido informado da possível compra da Média Capital pela PT. Acho um péssimo começo para quem referiu que desejava "um confronto sério e não na base de enganar o eleitorado". Aliás este caso é realmente espantoso já que era conhecido de todos o interesse da PT em expandir-se para os media nomeadamente para a Televisão.
 
Penso que, para além do facto político gratuito que se quis introduzir no debate, houve quase um pavor de uma alteração editorial da TVI e do despedimento de José Eduardo Moniz. Realmente a TVI sem o Jornal da Noite de Sexta-Feira apresentado pela  Dr.ª Manuela Moura Guedes, que por sinal até já foi deputada pelo CDS-PP, não tinha o mesmo nível de elevação jornalística!
 
Acrescento porém que, estando o suposto ou possível negócio de compra numa fase embrionária o próprio Dr.º Henrique Granadeiro referiu que nunca tinha falado com o accionista estado sobre esta matéria. Por outro lado mesmo que por um acaso meramente absurdo e obtuso, a intenção fosse a ingerência do governo no programa editorial da TVI não haveria já tempo para cumprir todos os formalismos e chegar a essa fase antes das eleições pelo que, torno a dizer, são questões absolutamente estéreis e que em nada contribuem para a tal “Política de Verdade”.
 
Ah! Já percebi, este caso deve funcionar para o PSD como uma recordatória daquilo que foi o jornal “O Independente” na década de 90, em que desmascarou e investigou uma imensidão de casos de corrupção, uso indevido de fundos públicos, etc, etc. que, por acaso, grande parte até se vieram a provar em tribunal!
 
Política de Verdade? Não tenhamos a memória curta e recordemos outros tempos em que não havia crise mundial e ficámos encarcerados numa espécie de Gulag de direita pelas mesmas pessoas que agora prometem o oásis. Caso o PSD ganhasse as eleições tornaríamos decerto, não a ouvir o “discurso da tanga”, mas a ficarmos nós mesmos de “tanga” e açudados num pântano a aguardar pela chegada da retoma …
 
publicado por Ricardo_Barros às 13:17
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Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Alguém falou em Sondagens??

 

Tarde quente de sol no Algarve, naquela que foi a semana pós-eleitoral, tentava, à beira mar, descansar um pouco após um aguerrido confronto político em Portugal em que claramente os partidos da oposição aproveitaram para discutir tudo ... menos a Europa e em que rigorosamente tudo correu mal - até as benditas sondagens!

 

Contudo, dado o corropio da multidão, e a confusão normal de uma praia super-povoada como é a de Armação-de-Pêra, resolvi refugiar-me no meu MP3 e deliciar-me com Shubert e Mozart. 

 

Escutava já a música há algum tempo, quando dei por mim a comtemplar a nuvem de pessoas que me rodeavam e não pude deixar de esboçar um sorriso quando me lembrei do painel, onde participei pelo PS como comentador dos resultados eleitorais, na Rádio Campanário (Vila Viçosa). Um dos meus interlocutores (que representava o PSD) havia dito num tom soturno e sombrio "Eng.º não tenha dúvidas que ninguém vai de férias! Os portugueses estão de rastos em termos financeiros". No jornal aparecia em letras garrafais que a taxa de ocupação do Algarve estava acima dos 80 %.

 

Realmente há aqui um contra-senso, em face do estado do nosso país das duas uma ou há algum exagero da classe política ou então as famílias portuguesas continuam a endividar-se muitíssimo para além das suas capacidades... Ou ainda, e se calhar uma mistura das outras duas, Portugal vive de facto uma crise económica e financeira gravíssima mas, acima de tudo um crise ainda mais profunda: a de valores. Com efeito, vivemos uma época em que tudo se diz à "pesca" de um voto, em que a imparcialidade jornalística é constantemente agredida, em que assistimos aos entrevistadores a &q uot;espancarem" os entrevistados, em que os ilustres politólogos têm uma opinião de uma volatilidade extrema, etc, etc, etc.

 

Mas retomando o título deste post, decorreu essa abençoada semana de férias e lá voltei ao  quotidiano normal, com todas as guerrilhas inter e intra partidárias normais depois dos resultados: TGV sim ou não? o governo ainda está em condições de ser poder em portugal? e a coroar tudo isto uma moção de censura absolutamente despropositada do CDS/PP.

 

Finalmente começa agora a rugir a questão do agendamento eleitoral. Foi precisamente sobre esta matéria que hoje ouvi as declarações do nosso Chefe de Estado e fiquei absolutamente atónito... Então não é que o Sr. PR referiu que já tinha em seu poder sondagens que demonstravam claramente que os portugueses desejavam as eleições Legislativas no mesmo dia que as Autárquicas? Sim, essas mesmas empresas de sondagens que davam uma vitória folgada ao PS nas europeias e a não eleição do Nuno Melo do CDS/PP... Mais estranho ainda se torna quando sabemos que todos os partidos políticos, com excepção, claro está, do PSD, manifestaram todo o interesse em que os dois actos eleitorais se dessem em datas diferentes.

 

Realmente, posso estar enganado e a deficiência se calhar é mesmo minha, mas será lícito um Presidente da República citar sondagens para a marcação de um acto eleitoral? ainda mais quando o único partido que está de acordo com essa "sondagem" é o mesmo cujo o nosso ilustre PR liderou anos e anos a fio!?

 

Pertencendo a uma concelhia do Partido Socialista, poderei apenas emitir a minha opinião: a coincidência de datas apenas trará um excesso de trabalho para as bases dos partidos e que haverá claramente uma confusão entre o âmbito dos debates políticos. Precisamos de serenidade para que os eleitores possam tomar as suas opções em consciência e de modo transparente e inequívoco, é a isso que se chama democracia!

publicado por Ricardo_Barros às 22:37
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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Atentado à Democracia

Neste ano em que se aproximam três actos eleitorais fulcrais no panorama nacional e internacional penso que é meu dever cívico expor e alertar para aquilo que mais me escandaliza nestas alturas: o “fantasma” da abstenção.
De facto, tem sido apanágio de muitos eleitores optarem por não ir às urnas expressar a sua convicção. Tenho lido inúmeros artigos com os mais variados motivos para tentarem explicar este desinteresse, desde a desmotivação pela política, até ao evidenciar o seu descontentamento com o panorama económico, passando pelo comodismo e, claro, o imobilismo.
Meus caros, não nos podemos iludir, a verdade é apenas uma, na minha opinião, não votar é pura e simplesmente mostrar a todos a falta de uma vida activa e reactiva sobre as escolhas, as políticas, a sociedade, ou seja é deixar perecer a própria democracia.
Comemorámos, há bem pouco tempo, mais um aniversário do 25 de Abril, data em que conquistámos inúmeros valores de grande altruísmo, que se podem condensar na Liberdade e na Democracia Lato sensu. Terá algum de nós o direito de renegar este passado heróico tão recente?
Abraham Lincoln sublinhava, de forma sábia, a expressão de que “Um boletim de voto tem mais força que um tiro de espingarda”. Realmente, com a nossa participação, temos na ponta da caneta a oportunidade de demonstrar, ou não, aquilo que queremos para o futuro de Portugal, pois o que está em causa é o legado que deixaremos. Esta questão toma ainda mais força quando todo o mundo é varrido com o furacão da crise económica e financeira.
Perdoem-me a deficiência profissional, mas considero quase tão absurdo como quando se elabora um Instrumento de Gestão Territorial (PDM, etc.), que é obrigatoriamente colocado em Discussão Pública, durante um período mais ou menos alargado de tempo, e se fazem inúmeras sessões de esclarecimento e os (des)interessados não se manifestam. Como se sabe o silêncio indica tacitamente que se concorda com o proposto e o Plano é aprovado. Passados alguns meses, dando-se (finalmente) conta de que o seu terreno não tem a capacidade edificatória desejada o proprietário, dirige-se então às autoridades para reclamar, quando em tempo útil já nada se pode fazer.
Esta contradição é paradigmática e aplica-se a variadíssimos factos da nossa vida em que, seja por comodismo, seja por outro motivo que na altura achemos “mais importante”, perdemos a oportunidade de nos manifestarmos, para depois entrarmos em críticas gratuitas e severas em relação àquilo que implicitamente concordámos.
As próximas eleições são já a 7 de Junho – as Europeias – convido todas e todos a meditarem nesse acto não como uma escolha vã para um lugar longínquo, mas como um escrutínio concreto onde são dirimidas questões que afectam directamente o nosso dia-a-dia.
Sim… pode-se com um “simples” voto marcar toda a diferença em relação ao patriotismo, à cidadania, à participação cívica, etc. Se estamos descontentes com a política actual, não o poderemos demonstrar escondendo-nos atrás da falácia da abstenção. Se por outro lado concordamos, também o devemos evidenciar de forma clara e transparente.
Não consintamos que às “nossas” mãos se “arrase” a democracia. Exercer o direito de voto é uma obrigação para todos, a bem da democracia e do civismo.
publicado por Ricardo_Barros às 15:52
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